APÓS 3 ANOS DESATIVADA, FARC ANUNCIA A VOLTA A GUERRILHA ARMADA NA COLÔMBIA

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O ex-número dois da guerrilha dissolvida das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) Iván Márquez, reapareceu nesta quinta-feira (29) em um vídeo anunciando uma nova etapa da luta armada na Colômbia. O anúncio acontece três anos após a assinatura do acordo de paz entre a guerrilha e governo para encerrar 52 anos de conflito.

Na leitura do manifesto, ele diz que “enquanto houver vontade de lutar, haverá esperança de vencer” foi postado em um canal do YouTube. Márquez, vestido de verde militar e com uma arma na cintura, está acompanhado por outro ex-comandante das Farc Jesus Santrich, que está foragido da Justiça.

“Anunciamos ao mundo que a segunda Marquetalia [berço histórico da rebelião armada] começou sob proteção do direito universal que ajuda todos os povos do mundo a se levantarem contra a opressão “, complementa.

Márquez, que foi um dos principais negociadores do acordo de paz, afirma que a decisão de voltar às armas “é a continuação da luta de guerrilha em resposta à traição do Estado ao acordo de paz [de 2016]”. Ele ainda diz que o grupo buscará alianças com a guerrilha Exército de Libertação Nacional (ELN) e não usará pedidos de resgate [de pessoas sequestradas] como fonte de financiamento, segundo o G1.

Fontes de segurança disseram à Reuters que a força comandada por Márquez poderia atingir reunir 2,2 mil combatentes.

Márquez perdeu o mandato como senador por não ter tomado posse. Seu paradeiro era desconhecido desde o ano passado, quando o seu sobrinho foi preso e levado para os Estados Unidos para cooperar com investigadores do narcotráfico. Ele alegou que faltavam garantias do governo para que pudesse viver em sociedade com segurança.

Santrich é acusado pelo governo americano de planejar o envio de 10 toneladas de cocaína ao país após a assinatura do acordo de paz com a Colômbia.

Após a divulgação do vídeo, o ex-comandante da guerrilha, das Farc Rodrigo Londoño, conhecido como Timochenko, negou a retomada da luta armada.

“A grande maioria continua comprometida com o acordo, apesar de todas as dificuldades e perigos. Estamos com a paz”, disse Timochenko no Twitter. Ele é atualmente um líder da Força Comum Alternativa Revolucionária, o partido político das Farc nascido do acordo de paz.

O ex-líder guerrilheiro Carlos Antonio Lozada, que atualmente é senador, considerou a iniciativa um equívoco. “Devemos dizer à base da guerrilha que o caminho é o da paz, estamos convencidos de que todos os dias há mais colombianos que querem a paz. Sabemos que não é um caminho fácil”.

Por outro lado, o líder de uma das frentes mais ativas do ELN no departamento do Chocó, no oeste da Colômbia, saudou a iniciativa.

Quando as vias legais estão fechadas para as transformações profundas a resistência armada para transformar essa realidade é uma alternativa válida. Saudamos o pronunciamento de Iván Márquez, Jesús Santrich, El Paisa e outros colegas que reintegram essa forma de resistência popular”, disse Uriel em um vídeo divulgado nas redes sociais.

O alto comissário para a paz do governo colombiano, Miguel Ceballos, considerou preocupante, mas não surpreendente, o anúncio de líderes rebeldes que deixaram o acordo de paz para retomar a luta armada.

“Não há surpresa para o governo nacional. Infelizmente essas pessoas já haviam deixado claro, com seu comportamento, que dariam as costas ao acordo de paz”, disse Ceballos em entrevista à Blu Radio.

No entanto, ele enfatizou, “é um anúncio muito perturbador”.

Em novembro de 2016, o presidente da Colômbia, Juan Manuel Santos, e o líder rebelde marxista das Farc, Rodrigo Londoño, assinaram o acordo de paz para encerrar mais de 50 anos do conflito que deixou mais de 260 mil mortos.

Esse tratado era uma versão atualizada do documento original, que tinha sido rejeitada em referendo por uma pequena diferença de eleitores que o consideravam leniente demais com a guerrilha. O “não” ganhou por 57 mil votos em um universo de 13 milhões de eleitores.

Graças ao acordo de paz, a antiga guerrilha se tornou o partido Força Alternativa Revolucionária do Comum, ganhando dez cadeiras no Congresso, cinco delas no Senado e as demais na Câmara de Representantes.

O atual presidente colombiano, Ivan Duque, foi eleito em uma plataforma para alterar partes do acordo, mas não conseguiu até agora apoio do Congresso ou da Justiça para fazê-lo.