EDITORIAL: OS RUMOS QUE TOMAM A NAÇÃO BRASILEIRA

Por – Roger Lima.

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Nos últimos dias, o Brasil tem experimentado uma turbulência anunciada que vem atrás de outras turbulências que deixam a todos inseguros – povo e investidores, mercado e os olhos internacionais. Mal se acaba a greve dos caminhoneiros que provocou uma grave crise de abastecimento e colocou todas as cidades brasileiras à beira do caos e do desespero, o brasileiro agora vive uma espécie de pânico e vê este mesmo pânico tomar conta dos mercados financeiros, com o dólar atingindo patamares próximos de 4 reais e a Bolsa chegando a desabar 6,5% na tarde de quinta-feira. 

 

E agora, José?…

 

A menos de quatro meses das eleições, o mercado financeiro parece se dar conta de que o cenário para este ano eleitoral é muito mais complicado do que se imaginava.

 

A reforma da Previdência não veio.

A recuperação econômica que se esperava não ocorreu.

O desemprego não caiu.

A impopularidade do presidente. Lula preso. A presença militar de Bolsonaro. A incredulidade das pessoas na política brasileira à níveis que vem desesperando os mais combalidos candidatos. 

Nem a Copa do Mundo na Rússia poderá ser usada como ópio.

 

No fim de tudo, a necessidade da reforma política pleiteada pela população – esquecida ou esquivada? no fundo da gaveta. Um bicho de 7 cabeças.

No mercado lá fora, no quadro externo, no qual sobrava dinheiro para se aplicar mundo afora, começou a mudar com a perspectiva de alta maior dos juros nos Estados Unidos e uma ameaça constante de guerra comercial capitaneada pelo presidente americano, Donald Trump. 

Segundo economistas, para a economia, o que se desenha agora é um quadro de crescimento bem reduzido, mínimo, já beirando uma estagnação. No último final de semana, mais uma série de bancos reviu, lá embaixo e para baixo, suas projeções para o PIB deste ano. O Bradesco reduziu sua previsão de 2,5% para 1,5%; o Itaú Unibanco, de 2% para 1,7%; o Bank of America Merrill Lynch, de 2,1% para 1,5%. Mas já há quem fale em apenas 1% – o mesmo crescimento de 2017, após queda de 7,2% no biênio 2015 e 2016. 

 

Seria crise ou o caos? A salvação do país poderá vir de onde?

 

Estudos e estudiosos (analistas também – e muitos entendedores não formados em política) indicavam que todo o processo vivido nestes últimos tempos dessa indesejada e profunda recessão, tinha deixado claro para a nação que, sem reformas estruturais, como a da Previdência, o Brasil iria à bancarrota. E que, fosse qual fosse o presidente eleito, não se poderia fugir da necessidade dessas reformas. E uma reforma deste naipe vai de encontro a opinião do povo neste ano de voto – e ninguém quer perder a eleição.

 

E foi preciso a greve dos caminhoneiros para mostrar que a realidade é diferente. Os motoristas foram atrás de subsídios para baratear o preço do óleo diesel e tiveram amplo apoio de toda população brasileira. Ficou claro que o discurso liberal ainda encontra forte resistência. Existe um contraste cruel entre o que o mercado idealizou e a realidade crua da política brasileira. O povo participa mais. O povo está propenso a participar mais. E qualquer insatisfação, se fala em greve e manifestações, protestos e paralisações. Hoje o país tem medo de novas sacudidelas em sua estrutura política. Parece que os políticos estão sabendo da força real que o povo tem quando não concorda com alguma coisa.

 

E pode ser que, nenhum político queira colocar à prova a sua força diante do povo.

 

O risco que o mercado passou ao governo temer, portanto, é que a ascensão de uma candidatura populista é o destino nas urnas – que significaria, nesse caso, mais intervenção estatal na economia, mais subsídios, menos privatizações. Os políticos irão falar a linguagem de todos e só se espera que vá mantê-la depois de eleito. As faixas e cartazes estão guardados em casa para assegurar que eles tenham que cumprir o que a grande massa no Brasil quer e busca.

 

E Lula sabe disso. Agora alguns outros também já margeiam esta praia. Muitos vão falar na terceira pessoa (nós) durante seus discursos.

 

Os problemas e as dificuldades de avanço nas pesquisas de Geraldo Alckmin (PSDB), que é mais identificado com as reformas – e o fortalecimento e avanço de Jair Bolsonaro (PSL) e Ciro Gomes (PDT), de perfis mais intervencionistas, têm provocado desalento entre investidores, como mostra levantamento feito pelo Estado com instituições financeiras. E ninguém tem dúvidas de que a forte volatilidade financeira que o País vive a deve perdurar por um bom tempo. Ainda a figura petista de Lula que pode chegar de vez para disputar, com a certeza de que pode, nessas eleições…

 

É esperar pra ver o porto que este barco vai aportar…

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Incidental sobre matéria do “Estadão”.