EDITORIAL: COMO SERÁ O INÍCIO DO ANO E O ÓPIO DAS FESTAS DE 2018 – PÃO E CIRCO

Editorial: Por Roger Lima

 

Pra começar o ano, os comerciantes reclamam que o comércio deu aquela desacelerada de sempre. Vários comércios pela cidade de Dias d’Ávila já dão sinal de estarem fechados e outros sinalizam que o vão. Lojas e restaurantes são os que parecem sofrer o maior baque. Com o aluguel nas alturas e a compras minguadas, a solução é fazer parte de quem deveria comprar. Mas quem compra hoje, só quer saber de comprar a comida do dia-a-dia, remédios se for o caso e aquela cervejinha de vez em quando. O resto está de  “STAND BY”.

 

Muitos empreendedores e comerciantes reclamam da falta de incentivo – tanto da CDL, quanto de projetos políticos para alavancar as vendas: não existem. O certo é que o povo diminuiu as compras e o comerciante não tem dinheiro pra pagar os impostos, pagar luz e água, o aluguel, funcionários e recompor o estoque.

 

Com a incerteza dos rumos da política e a atual situação econômica do país, o comprador não vai afoitamente às compras. Nem mesmo nas promoções que são feitas por alguns lojistas. O dinheiro na mão é a melhor solução para não atolar na crise que o Brasil está instalado, mesmo com o governo federal admitindo melhoras nos percentuais que o povo não quer saber. Quem tem bolso é que sabe o percentual que as coisas estão.

 

O certo é que a gasolina subiu, o gás disparou, a cesta básica está cara… O supérfluo fica pra quando der e puder. O essencial se torna realmente o essencial. A subsistência é a principal saída.

 

O Desemprego também incomoda e muito. Sem emprego não há dinheiro. Sem dinheiro a preocupação se multiplica por dez. Sem políticas voltadas para solucionar também mais este sério problema, o povo e a cidade passa a não comprar – e daí o ciclo se fecha nas lojas sem clientes e fatalmente, os mais despreparados financeiramente, fecham suas portas… Até quem está preparado, reduz os gastos, funcionários e pisa no freio.

 

Muita gente ainda está pagando a conta das festas de natal e do fim de ano ainda. Contas altas que vão incomodar o bolso e o cartão de crédito até o meio do ano (para muitos). Para quem não gastou quase nada, um alívio programado.

 

Mas mal acabam as festas de boas vindas de 2018 e já bate à porta do povo os impostos: IPTU, IPVA e outros que nem vou ficar especificando aqui. Por osmose, pra quem tem filho, a compra do material escolar e o pagamento da matrícula das escolas. Sem falar que o carnaval ainda convida o povo para mais gastos. E o carnaval é mais um ópio – um circo armado – pra ludibriar a boa fé de quem busca seriedade neste país de terceiro mundo. Um ópio tão poderoso, que o povo, em sua maioria, não resiste a tentação – e tome mais dívidas. Tão poderoso que o povo se transforma em folião.

 

É um ano de Copa do Mundo, e o povo vai se “preocupar” menos com seus problemas. Vai esquecer de cobrar de seus políticos e de se envolver politicamente na questão de buscar soluções e cobranças. A Copa faz sempre isto, cega o povo. Outro ópio poderoso. E todos os políticos do Brasil estão torcendo mais que os torcedores para que o Brasil se sagre campeão deste embate (já vi este filme em 70) – pois aí o ano vai parecer a eles mais fácil de se “tocar em frente”… A eleição vai ficar mais fácil. A campanha será mais dócil. Os problemas sociais serão anestesiados momentaneamente.

 

Consecutivamente, o ano inteiro teremos futebol. Copa dos Estados, Libertadores, Brasileirão, Sulamericana, Copa do Brasil, Copa do Nordeste, etc, etc…

 

Sem falar nas festas juninas – São João e São Pedro revirando as pedras no céu de desgosto. É tanta folia neste terceiro mundo que às vezes se tem a impressão que outras  festas poderão ser criadas para todos os meses do ano.

 

Pra compor a orquestra, a “Lava-Jato” vem acompanhando o cortejo. O povo não sabe onde essa “coisa” toda vai dar, e também não sabem se acredita ou desacredita nos resultados que se propõe. Estão todos esperando pra ver quando a música acabar…

 

Enchendo mais a linguiça, tem o julgamento de Lula pra todos verem. Vai ter também mais escândalos pra todos os gostos. Vai ter mais julgamentos. Vai ter mais manchetes no jornal de políticos sendo presos e sendo soltos – aqui e ali. Enquanto Temer sentado na poltrona de rei do palácio no planalto central, manda e desmanda e os demais políticos, famigerados que a maioria é, batem continência e dizem “sim, senhor”.