RUI COSTA DEFENDE SUSPENSÃO DE AULAS NO INTERIOR DA BAHIA EM ÉPOCA DE COLHEITA

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O governador Rui Costa defendeu, nesta segunda-feira (2), a adesão, por escolas da rede estadual, a um sistema diferenciado de ensino. A proposta seria a de alterar o horário ou até mesmo suspender as aulas dos estudantes da rede estadual em zona rural por conta do período de colheitas. Rui acredita que, com a medida, o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb) deverá melhorar. 

Segundo o gestor, se a Bahia dependesse apenas do quesito aprendizagem, estaria em um ranking elevado na avaliação. “Nós temos uma reprovação acima da média nacional, muito em função de trabalhadores em cidades que têm movimentos pendulares na época das colheitas agrícolas”, disse, alegando que a solução seria a adequação a estas realidades: “Não adianta dar murro em ponta de faca e manter a programação fixa da escola”

“Eu até peço que as escolas se adequem a essa realidade. É preciso manter esses alunos na escola e mudar o horário, mudar o período e se for o caso até abrir um hiato para retomar daqui a dois meses. “, completou.

Para muitos pais e muitos baianos, a estratégia de um calendário que favoreça a dupla jornada pode ter efeito contrário. A professora de Pedagogia na Faculdade de Tecnologia e Ciências (FTC) pontuou que, historicamente, crianças e adolescentes a partir de 11 anos que evadem da escola para ajudar a família no campo dificilmente retornam para sala de aula. “As crianças evadem com a justificativa de que irão ajudar a sua família, mas isso se reflete em exploração e uso do trabalho infantil de um estudante que não consegue mais terminar sua formação. Temos números da educação na Bahia que apontam para a melhora no acesso à educação infantil, mas ainda há um problema com a formação desse indivíduo”, disse Coutinho.

O último estudo sobre educação do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE), publicado em dezembro de 2018, apontou que a Bahia tem o maior número de alunos que abandonam a escola antes de concluir o ensino médio entre todos os estados do Nordeste. O levantamento teve como base a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) e apontou que, a cada 100 estudantes baianos de até 19 anos, apenas 43 concluíram o ensino médio na idade correta. O quadro fica ainda mais periclitante entre a população negra e rural, pontuou o estudo. 

A professora de Pedagogia argumentou que a escola deve se fazer presente justamente durante o período de colheita na zona rural e que o Estado deve investir em educação em tempo integral para a época. “A escola precisa ter a maior quantidade de atividades possíveis em turno oposto para acolher o estudante enquanto a sua família está focada na colheita”, argumentou Coutinho. 

A pedagoga lembrou que a formação é um direito básico garantido pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e a Constituição Federal. “Sou totalmente contra a ideia de suspender as aulas. Retirar crianças para que elas deixem de estudar é negar um direito. Enquanto sociedade precisamos pensar em como dar condições para a criança mudar sua situação social e a situação social da sua família por meio da educação”, concluiu. 

Para o secretário de Desenvolvimento Rural, Josias Gomes, contudo, a escola precisa se adaptar à realidade do agricultor familiar baiano, que tem demanda de subsistência e obedece “uma cultura incorporada”. O petista defendeu a Pedagogia da Alternância, que tenta equilibrar a vida no campo com os estudos. “Temos escolas para famílias agricultoras que desenvolvem essa pedagogia. A pessoa não passa o tempo todo na escola, e isso se mostra uma forma de manter o aluno, que retorna para a sua comunidade, na aula. É uma experiência que tem se mostrado exitosa”, falou. 

Gomes rejeitou que Rui tenha feito um estímulo ao trabalho infantil. “Estamos praticando a fixação do jovem no campo. Hoje temos vários jovens dirigindo cooperativas que exportam para a China e para a rede mercadista de Salvador. Estamos evitando uma evasão para o ambiente urbano”, avaliou. 

O secretário ainda defendeu que o governo petista tem feito avanços para evitar o trabalho infantil e o abandono da escola. “É preciso que os saberes acadêmicos compreendam o ambiente das pessoas que vivem naquele ambiente. Os governos do PT foram os que mais estimularam o ensino de jovens e crianças nos últimos anos. Tendo em conta o Bolsa Família, que obriga uma frequência regular nas escolas”, rebateu Josias Gomes. 

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Fonte – Bahia Notícias