Uma petição preliminar do Ministério Público Federal põe em suspeita Vilma Gomes (MDB), conhecida como “A Mamãe”, na gestão da prefeitura de Cansanção. A acusação relata um esquema de inserção de dados falsos no sistema educacional, que teria como objetivo o desvio de recursos federais e a utilização da máquina pública para fins eleitorais. O documento do MPF aponta uma anomalia nos dados da Educação de Jovens e Adultos (EJA). Entre 2020 e 2024, o número de alunos saltou de 2.260 para 7.796 — um aumento real de 244%. De acordo com os procuradores, esse crescimento é “estatisticamente improvável” e teria sido forjado através do sistema SYSESCOLA.
A fraude consistiria na criação de turmas fictícias e na inclusão de alunos que sequer residem no município. Com o número de matrículas inflado, a prefeitura garantia um repasse maior do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica (Fundeb).
A investigação sugere que o aumento artificial de alunos serviu de pretexto para a contratação em massa de servidores temporários. De acordo com os autos, a Lei Municipal 002/2024 previa 2.518 vagas. Em agosto de 2024, a gestão mantinha 3.185 contratados, o que corresponde a 636 acima do permitido. Para o MPF, essas contratações visavam criar uma “moeda de troca eleitoral”, gerando dependência financeira na população local e abrigando possíveis “servidores fantasmas”.
Márcio Victor Santos Andrade, ex-secretário de Educação, também é alvo das investigações, pois foi ordenador de despesas e responsável pela pasta que gerencia o Educacenso, a oitiva dele foi requerida pelo MPF para esclarecer como as manipulações operacionais no sistema ocorreram sem o devido bloqueio administrativo.

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