Desde 2002, quando foi eleito pela primeira vez para o Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não enfrenta uma crise no PT como agora. A crise foi deflagrada pela corrente ‘Construindo um Novo Brasil’ (CNB), majoritária no PT, porque uma ala desse grupo, que é o mesmo de Lula, não aceita Edinho Silva, nome indicado por ele para presidir o partido.
Ex-prefeito de Araraquara, Edinho conversou nesta terça-feira, 11, com a nova ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, e com o senador Humberto Costa (PE), presidente interino do PT. Tenta construir uma aliança em torno de suas propostas para um partido menos belicoso, mas, diante das dificuldades, seus aliados querem antecipar a inscrição da candidatura para os próximos dias, visando criar um fato consumado.
As eleições que vão renovar a cúpula do PT, com voto dos filiados, estão marcadas para 6 de julho, mas integrantes da corrente de Lula, Gleisi e do próprio Edinho têm lavado tanta roupa suja em público que a sigla CNB já é chamada nas fileiras do partido de “Construindo uma Nova Briga”.
O estopim da troca de alfinetadas ocorreu após a divulgação de que Lula participou de um jantar na casa de Gleisi, na última quinta-feira, 6. O cardápio foi a sucessão no PT. A portas fechadas, um seleto grupo de dirigentes do partido, todos da CNB, disse ao presidente que a candidatura de Edinho – apoiada pelo ex-ministro José Dirceu e pelo titular da Fazenda, Fernando Haddad, entre outros expoentes petistas – sofria inúmeras resistências.
Lula foi avisado, então, de que aquela ala da CNB procuraria um nome alternativo para a disputa. “Vamos acertar um candidato que unifique o PT e ajude o governo”, afirmou ao Estadão o deputado Jilmar Tatto (SP), secretário de Comunicação do PT, que estava naquele jantar.
O “vazamento” do encontro irritou Lula, que distribuiu broncas. O presidente não quer passar a imagem de um chefe do Executivo que virou refém da luta interna do PT. Além disso, está preocupado com as consequências da divisão em seu partido neste momento de acentuada queda de popularidade, quando tenta conquistar apoios para pôr de pé seu projeto de reeleição, em 2026. O próximo presidente do PT comandará a campanha de Lula ou de quem ele escolher como seu herdeiro político, no ano que vem.

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